21.10.09

Cadastro Único


Parece sacanagem, mas não é. Estamos no Brasil e aqui a sacanagem é levada a serio. O Governo Federal instituiu em 2001 o Cadastro Único para fazer o mapeamento das famílias de baixa renda, em situação de pobreza e extrema, na expectativa de decifrar o problema da pobreza no país (como se já não tivesse sido descoberto há muito tempo) e propor medidas com a finalidade de melhorar a situação dessas pessoas.

Esse cadastro consiste em um formulário que eletronicamente permite recolher e analisar dados de diversas naturezas tais quais: domicílio (cômodos, construção, água, esgoto e lixo); composição familiar (número de membros, gestantes, idosos, mães amamentando, deficientes físicos); identificação e documentação de cada indivíduo; qualificação escolar; qualificação profissional e situação no mercado de trabalho; rendimentos e despesas.

O governo pretende sintetizar em um único tipo de documento todas as informações que precisa saber sobre as pessoas que necessitam de um cuidado maior por parte da nação. O problema é pensar no indivíduo que porta tal documentação, afinal de contas ela deve ter alguma utilidade para o cidadão que fez o cadastro, a não ser que seja mais um bando de dados federal. A priori este tipo de documentação poderia ser como um documento estigmatizante da sociedade definindo espaços através de um “crachá de pobre”, no entanto a perspectiva do governo não é essa, pretende-se com isso simplificar ou descomplicar os velhos desencontros burocráticos pelos quais grande parte da população passa.

Pensando nisso seria interessante pensar e sugerir para o Governo Federal que amplie o Cadastro Único, carinhosamente CU, para todos os cidadãos brasileiros. Afinal de contas é chato pra caramba andar com um monte de documento pra cima e para baixo, o que varía dependendo da ocasião. O CU substituiria tudo isso, sendo tranformado em documento de extrema importância para todos os brasileiros, facilitando a vida do Brasil.

O CU servirá para identificação em todos os casos, desde em lojas e até em blitz, basta mostrar o seu CU e todo mundo saberá que você é você.

Todas as contas serão colocadas no seu CU, água, luz, telefone e você não precisará sair com um monte de papel para o banco, evitando assim a poluição do planeta.

Para andar de ônibus basta mostrar seu CU para o cobrador e pronto, para comprar alguma coisa bastar levar seu CU, com um CU você vai pra qualquer lugar sem precisar carregar dinheiro o que representa segurança pois o ladrão pode até levar seu CU, mas não poderá fazer nada com ele.

Mas preste bem atenção seu CU só vale aqui no Brasil. Não adianta viajar e sair mostrando o CU em outros países, lá o buraco é mais embaixo. Afinal aqui é o Brasil!

Rio 2016 é agora.

Começaram as olimpíadas brasileiras. Rio 2016 é agora.
Em um dia produtivo o Brasil mostrou ao mundo como está se preparando para os Jogos Olímpicos, os gregos antigos nunca imaginaram algo tão surpreendente.

Vamos aos fatos:
1- A tocha olímpica não para de queimar. No dia 07 foi acesa utilizando para isto um vagão de trem. Dez dias depois os ônibus continuaram mantendo aceso o fogo olímpico e o espírito dentro dos cariocas, e porque não dos brasileiros.
2- Três grandes equipes disparam combatem competem no quadro de medalhas disputando o morro o primeiro lugar. A polícia, com seu time cercado aguerrido, tenta se aproveitar da rivalidade entre o time do Morro São João e o time do Morro dos Macacos, mas estes garantem que não vão dar sossego à defesa dos PMs, pois vão competir com unhas, dentes e alguns fuzis.
3- Novo integrante da equipe de tiro ao alvo preocupa os adversários estrangeiros, dizem que o cara é tão bom que derruba até helicóptero.
4- A equipe de atletismo já mostra serviço. 100m com barricadas, 200 metros correndo da bala já são esperança de ouro para o Brasil.
5- Mas essas equipes que se cuidem, o time das almas sepultadas durante este período tende a crescer e se fortificar. Neste momento o time já conta com 29 atletas e parece que vai compor até 2016 a maior delegação que as olimpíadas já viram.

O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) que se cuide, se tudo continuar assim será substituído pelo COP – Comitê Olímpico Presidiário – que neste momento parece a única coisa organizada nesse país.
Triste realidade. Para rir? Não! Para se lamentar.
O governo pretende gastar até 2016 25 bilhões de reais (R$ 25.000.000.000,00) para produzir e maquiar o Rio de Janeiro, ou o que sobrar da cidade até lá. Somados a esses 25 bi, temos: os desvios, os superfaturamentos, as construções esponjas, as construções inacabáveis, beneficiamentos próprios entre outros meios legitimamente escusos. No fim das contas não é de se duvidar que esse gasto original seja muito maior, podendo chegar à faixa de 40 bilhões de reais, quantia esta gasta em 2008 com segurança pública.

Seria ilusão acreditar que esses custos operacionais não influenciarão em outros gastos públicos. De fato o governo não está de todo enganado quando diz que não faltarão recursos nas outras áreas, pois estes recursos já faltam. Não queremos entrar no mérito da questão a respeito das divisas do tesouro nacional, pois há e muito, o problema é a ingerência que fazem as divisas serem tão divididas que faltem em termos práticos.

É a velha história o Brasil vai gastar muito, podendo gastar esse muito em outras coisas, criando um sistema de fiscalização decente, investindo pesadamente em educação, saúde e segurança, para combater a velha corrupção que causa tantos estragos no país. Feito isso poderíamos ter orgulho de ser sede de qualquer evento mundial, gastando muito mais que 25 bilhões sem muita preocupação.

No mais pulemos, dancemos, cantemos e choremos sobre nossa triste realidade.

Razões de ser.


Antes que me roubem o pensamento, ou colocando-o à disposição das sanguessugas, eis porque estamos aqui.

Acreditando que um dia a casa cai e a coisa muda, estamos gastando tempo e neurônios em prol de algo que buscamos incessantemente, sem saber definir bem, o conhecimento.

É como a metafísica na explicação de Voltaire: "O estudo da metafísica, constitui-se em procurar num quarto escuro um gato preto que não está lá". No caso do conhecimento, ou o gato preto, não existe, mas você consegue encontrá-lo.

O conhecimento existe, intenciona-se detê-lo, mas ele esvai-se, pois ele não estará pronto, acabado, como esperam plagiadores (os que procuram o gato preto). A idéia é construí-lo, ou seja, definir um lugar no quarto escuro, fazer um esforço e encontrá-lo, finalmente fazer com que os outros enxerguem o mesmo gato preto.

Daí múltiplos gatos serão vistos, várias cores, várias formas e em diversos lugares. Muita discussão, muito debate, ótimo! Mas o seu conhecimento estará lá, com a sua assinatura, se assim o fizer e com sorte alguns olharão o mesmo gato que você, o seu conhecimento.

Para que não se perca, para que seja seu, escreva, porque escrever é preciso!