30.10.09

15 Minutos...

15 minutos: esse foi o tempo suficiente para Marcelo Adnet e Kiabbo elaborarem uma ótima crítica a ditadura. E o melhor, não foi qualquer crítica, foi uma sátira do caramba.


Acredito que os brasileiros deveriam aprender uma coisa: criticar a ditadura. Por mais que revisionistas se empenhem em descaracterizar os anos de chumbo, não há como pensar que a ditadura tenha legado uma coisa boa para o país. Além do mais, esses jornalistas mal informados falam isto porque não sofreram com a ditadura.

Se tivessem a mira do fuzil na testa ou conhecessem alguém que penou na mão dos militares eles não abririam a boca pra falar tanta merda, do tipo ditabranda. Continuem assim, se o tal general que as forças armadas tentam emplacar como candidato a presidente por ventura ganhar vocês serão os primeiros a dançar.
Não coloquei os vídeos direto aqui, o player do blogspot não é legal e não é funcional na hora de fazer o upload. Mas já ta no youtube é só conferir nos links abaixo. E de lambuja o vídeo do Chico Buarque, aquele que é parente do cara do dicionário, cantando supostamente pra filha do Geisel.

27.10.09

Quem traiu quem?

Juanita Castro trabalhou para a CIA durante os anos 60 em Cuba, ajudando presos políticos a escaparem da degola posta em prática pelo seu irmão mais velho Fidel Castro. Segundo ela, o irmão ao se tornar ditador traiu a revolução democrática.



Em se tratando de Fidel e Cuba durante a eterna revolução, ser contra o regime resultava em xilindró, que em outras palavras significa bater as botas forçadamente. Mesmo que a revolução tenha sido plantada em 1959 enquanto democrática, firmou-se enquanto autoritária, e permanece assim desde então. As mudanças propostas por Raul Castro são comedidas, para que não seja perdida a imagem dos revolucionários que ainda habita a mente de muitos cubanos.

O fato é que a irmã dos dois escreveu um livro para descortinar os segredos do governo Fidel. "Fidel and Raul, My Brothers, the Secret History” pode se tornar um best-seller das fofocas internacionais no qual a irmã cagueta dedura seus irmãos indisciplinados para a mamãe América (do Norte).

Mas na verdade quem traiu quem?

Segundo Ruanita, Fidel traiu Cuba. “Ele traiu milhares que sofreram e lutaram pela revolução que ele oferecia, generosa e justa, que traria a democracia para Cuba”. Após se desencantar com o governo do irmão, Juanita transformou-se em uma espécie de 007 do mundo real e passou a trabalhar para o tio Sam, resgatando os pobres coitados que estavam dançando ao som dos discursos de Fidel. Disse ainda que Raul Castro implementa mudanças de primeira marcha, pois Fidel ainda possui a voz mas alta nas decisões: “Hay que amolercerse, pero sin cambiar las marchas.” Em outras palavras Juanita disse que seus irmãos continuam a trair Cuba dia após dia.

Sendo assim me pergunto o que teria Fidel a dizer sobre isso já que, segundo a 007, Raul não apita em nada. O Comandante em Chefe provavelmente diria a mesma coisa de sua irmã, afinal a Revolução não vê cara, cor ou parentes, e sim apenas um objetivo que não deve ser atrapalhado por ninguém. Acredito que na visão do presidente cubano e de alguns tantos outros cubanos, Juanita é a grande traidora, por se aliar e trabalhar para o país que por tantos anos fez de Cuba seu deposito de lixo. Indo um pouco mais além, se em algum momento a revolução enfrentou dificuldades foi por causa de pessoas como a dita cuja trapaceira.

Pra finalizar essa história em que o sujo fala do mal lavado, é interessante pensar como o livro de Juanita é mais um instrumento formador ou fortificador de opiniões a respeito de um problema que em larga escala não tem muito lá haver com a gente, afinal se Juanita foi paga pra falar mal de seu irmão, ou pra provar pro mundo capitalista que o comunismo é balela, simbolicamente ela vai está chovendo no molhado.

O interessante é pensar que a disputa por Cuba demonstra a acirrada busca por fronteiras onde o capitalismo ainda não dá as cartas, pois o sonho (ou delírio) cubano ainda é pesadelo para os EUA e o bloco econômico que lidera. No plano material Cuba não vale muito mais que um sanduíche do Mc’ Donalds, mas simbolicamente é perfeitamente compreensível porque ainda se torce pela morte do grande Ditador Fidel Castro e provavelmente do seu irmão. A safra dos Castro’s indo para o beleléu pode significar a derrocada cubana e um grande sorriso sarcástico para o Tio Sam e seus seguidores no tweeter.

Aí fica a dúvida: quem traiu quem?